O presidente da Fifa, Gianni Infantino, encontrou-se com Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, na sexta-feira, em Cali, na Colômbia. Este encontro reforça o apoio sul-americano a Infantino em um período de crise na instituição.
A crise na Fifa foi desencadeada por um plano comercial proposto e posteriormente retirado pelo próprio Infantino. Este plano visava criar uma empresa para receber investimentos privados, com a ideia de vender participações em torneios da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, onde investidores poderiam ter até 20% de participação.
Em um vídeo compartilhado por Domínguez nas redes sociais, ele apareceu ao lado de Infantino e do prefeito de Barranquilla, Alejandro Char Chaljub. Eles estavam em Cali para a posse presidencial de Abelardo de la Espriella. Domínguez descreveu o encontro como uma oportunidade para conversar, trocar ideias e fortalecer os laços através do futebol.
Antes deste encontro, Infantino foi recebido na Colômbia pelo presidente da federação local, Ramón Jesurún. O presidente da Fifa cumpriu agenda com Jesurún em um campeonato infantil, onde discursou sobre a união pelo futebol. Ele expressou sua felicidade em estar presente, afirmando que o futebol é alegria, felicidade e unidade.
Repercussão do plano comercial
O anúncio do plano de buscar investimentos privados gerou grande repercussão no mundo do futebol. A Uefa, que já se posicionava como antagonista de Infantino, previu boicotes e obteve apoio da Concacaf. Ambas as confederações criticaram a ideia de vender participações nos torneios da Fifa, entendendo a iniciativa como uma tentativa de “vender a Copa do Mundo“.
Apesar das críticas, Infantino manteve o respaldo da Confederação Africana (CAF) e da Conmebol. Essas duas entidades reiteraram seu apoio após um recuo da Fifa, que pediu desculpas não pelo projeto em si, mas pela forma como foi apresentado, “sem participação das associações”.
Além da manifestação da Conmebol, a Argentina e o Paraguai também declararam apoio a Infantino. Chiqui Tapia, da Argentina, é um aliado do ítalo-suíço, e a associação paraguaia é a origem de Alejandro Domínguez. Embora a Concacaf repudie Infantino e articule o canadense Victor Montagliani como possível candidato para a eleição de março de 2027, a Federação Mexicana de Futebol manifestou apoio a Infantino.
O plano da Fifa, conhecido como FFE, buscava investimentos privados para a entidade. Foi imediatamente rejeitado pela Uefa, que conseguiu o apoio da Concacaf e da AFC. A Conmebol, a CAF e a OFC adotaram uma postura neutra inicialmente. Outro ponto de preocupação foi a influência dos Estados Unidos na proposta, o que gerou receio entre investidores, segundo o Financial Times. O presidente americano negou ter discutido o tema com Infantino.
Contexto da crise e apoio regional
A repercussão negativa levou ao abandono do plano. Após o fracasso de sua proposta, a imagem de Infantino foi desgastada, e ele perdeu apoio para a eleição de 2027. A ideia de pautar a destituição do presidente chegou a ser considerada. O discurso de Infantino sobre união e felicidade ocorre em um momento delicado, faltando oito meses para o fim de seu mandato, com a eleição marcada para março de 2027, onde ele é o único candidato declarado.
Apesar das críticas, especialmente da Uefa, que manteve a ameaça de boicotar a Copa do Mundo, Infantino tem encontrado apoio na América do Sul. A Conmebol, que reúne dez federações filiadas à Fifa, incluindo Argentina e Brasil, havia expressado preocupação com as “repetidas ações unilaterais” do dirigente. No entanto, Domínguez amenizou o tom crítico, defendendo o diálogo e reconhecendo o trabalho de Infantino.
Além do apoio já manifestado por Argentina e Paraguai, as federações da Venezuela e do Equador também se manifestaram a favor de Infantino. O presidente da federação equatoriana, Francisco Egas Lareategui, afirmou confiar em Infantino e nos atuais líderes do futebol para o bem do esporte. O presidente da Fifa participou da posse de Abelardo de la Espriella em Cali, um evento que reforçou seus laços na região.
Source: uol.com.br