Travesti esfaqueada denunciou agressor um dia antes do crime

Elas já não estão mais nas ruas, têm medo que o suspeito possa retornar e, dessa vez, cometer algo mais grave. As quatro travestis que foram esfaqueadas na Rua Minas Gerais, na Pituba, em um período de dez dias, temem pela vida. Duas delas estiveram na 16ª Delegacia (Pituba) na manhã desta quarta-feira (7) para prestar queixa contra o suspeito descrito por elas como um homem alto, magro, moreno e que usa um canhavaque.

De lá, as vítimas seguiram, após serem ouvidas, para o Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR) para fazer o exame de corpo de delito e o retrato falado do agressor.

De acordo o boletim de ocorrência do Hospital Geral do Estado (HGE), uma das vítimas, que tem 21 anos, deu entrada na unidade com um corte na boca no último sábado (3). Para os policiais civis do posto da Polícia Civil do HGE, a vítima relatou que foi atacada pelo fato de ter presenciado uma agressão no dia anterior e ter denunciado o suspeito à polícia.  

A vítima relatou ao CORREIO que, na sexta (2), estava na Rua Minas Gerais, próximo à boate Eros, pouco depois da meia-noite, quando percebeu o suspeito se aproximando de uma colega de trabalho que estava nas imediações da Avenida Manoel Dias.

Ao avistá-lo, a travesti sinalizou aos policiais que passavam por ali que o suspeito iria atacar mais uma vítima. Os PMS pararam, chegaram a seguir o agressor, mas não o alcançaram. “Quando eu vi, gritei: ‘É ele, é ele quem está esfaqueando’, mas ele estava longe e quando percebeu a viatura se aproximando correu”, lembra.  

Para ela, isso pode ter motivado a sua agressão no dia seguinte. A travesti estava por volta das 3h do sábado, no mesmo local, quando o suspeito veio correndo em sua direção. Uma amiga, mais atenta, percebeu o ataque e tentou avisá-la, mas a vítima foi pega de surpresa. “A minha amiga gritou: ‘olha lá, corre, ele tá vindo, corre’, mas quando percebi ele já estava em cima de mim. Tentei esquivar, fui pra um lado, mas ele foi pra cima e tirou a faca de dentro da jaqueta”, conta.

Ataque
Outra travesti de 24 anos, agredida no dia 24 de fevereiro, às 3h, também na Rua Minas Gerais, foi golpeada no pescoço. Diferente de outros ataques, o suspeito utilizou um objeto pontudo, similar a uma pequena barra de ferro. Assim como em outros episódios, o agressor chegou repentinamente, não dando chances de defesa às vítimas. 

“Ninguém sabe de onde ele chega e pra onde vai. Passa, registra a pessoa, e, em seguida, vem pra atacar. A gente não sabe como funciona; ele aparece do nada e some. Eu estava de lado quando ele passou por mim, olhou para um lado, pro outro e me atacou no pescoço”, relata.

Fonte Correio24

Comentários
Loading...